Araraquara arrecada mais de R$ 21 milhões em multas, mas motoristas seguem desviando de buracos: quem paga essa conta?
Enquanto a Prefeitura comemora números milionários na arrecadação com infrações de trânsito, a população questiona o retorno desse dinheiro nas ruas da cidade
Radar fiscaliza, multa chega, mas o motorista continua desviando de buracos. Em Araraquara, a arrecadação com multas passou de R$ 21 milhões em 2025. A Prefeitura de Araraquara arrecadou R$ 21,1 milhões com multas de trânsito em 2025, valor muito próximo dos R$ 22,1 milhões previstos para o período. A informação foi apresentada após questionamento sobre a arrecadação e a aplicação dos recursos do Fundo Municipal de Trânsito.
Mas, diante dos números milionários, uma pergunta começa a ecoar entre motoristas, motociclistas e pedestres: se há tanto dinheiro entrando, por que as ruas continuam remendadas, esburacadas e inseguras?
De acordo com os dados informados, a maior parte da arrecadação veio pelo sistema Prodesp, seguida por pagamentos via boleto e por valores oriundos de dívida ativa. Entre as infrações mais registradas estão excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e irregularidades de estacionamento.
A Prefeitura afirma que os recursos foram aplicados em sinalização, tecnologia, manutenção e segurança viária. No entanto, a realidade vista diariamente nas ruas levanta questionamentos. Em vários pontos da cidade, motoristas enfrentam buracos, ondulações, remendos malfeitos e vias deterioradas, cenário que aumenta o risco de acidentes e gera prejuízos diretos ao bolso da população.
A conta, mais uma vez, sobra para o cidadão. Além de pagar impostos e multas, o motorista ainda precisa arcar com despesas em oficinas mecânicas, troca de pneus, alinhamento, balanceamento, suspensão e outros danos causados pela má conservação das vias.
Arrecadar milhões é uma coisa. Devolver esse dinheiro em melhorias reais é outra.
O questionamento feito à Prefeitura buscou justamente entender, com mais clareza, como esses valores estão sendo arrecadados e, principalmente, onde estão sendo aplicados. A resposta detalha os números, mas não encerra o debate. Pelo contrário: abre uma discussão ainda mais urgente sobre prioridade, transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Se o objetivo das multas é promover segurança no trânsito, a população tem o direito de cobrar que o dinheiro seja revertido em ações visíveis e efetivas. Isso inclui sinalização adequada, manutenção das vias, tecnologia a serviço da vida e não apenas da arrecadação, além de fiscalização com finalidade educativa e preventiva.
O que não dá é para o cidadão continuar sendo punido duas vezes: primeiro pela multa, depois pelo prejuízo causado por ruas em más condições.
A pergunta que fica é direta: Araraquara tem uma política de segurança no trânsito ou uma indústria da multa?








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