Demolição do antigo Cine Plaza apaga parte da memória afetiva de Araraquara
Também conhecido como Cine 9 de Julho, prédio histórico foi derrubado nesta quinta-feira, 7 de maio, no Centro da cidade
Por Eloos
07/05/2026 - 11h29
Área onde ficava o antigo Cine Plaza, também conhecido como Cine 9 de Julho, no Centro de Araraquara. O prédio foi demolido nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, encerrando fisicamente uma história que marcou gerações. Araraquara perdeu, nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, mais do que um prédio. Com a demolição do antigo Cine Plaza, também lembrado por muitos como Cine 9 de Julho, desaparece da paisagem urbana um dos símbolos de uma época em que o cinema de rua era ponto de encontro, lazer, cultura e convivência.
Localizado na tradicional Rua Nove de Julho, no Centro, o imóvel carregava uma história profundamente ligada à memória afetiva de gerações de araraquarenses. Durante décadas, suas portas receberam famílias, crianças, jovens, casais e amigos que encontravam ali muito mais do que filmes: encontravam uma experiência coletiva.

Para quem viveu aquele tempo, ir ao Cine Plaza era um ritual. Aos domingos, antes da matinê, havia encontros na porta, conversas animadas e trocas de gibis, revistas e figurinhas. Depois, a magia acontecia na sala escura, com filmes de Tarzan, Mazzaropi, faroestes e tantos outros clássicos populares que marcaram a infância e a juventude de muitos moradores.
As lembranças também têm cheiro e sabor. Muitos frequentadores ainda recordam das balas 7 Belo, das Chitas e das guloseimas compradas no bar do Azzem ou na bomboniere do próprio cinema. Pequenos gestos que transformavam a sessão em acontecimento e faziam do cinema um território de afeto.
Antes de se tornar Cine Plaza, o espaço funcionou como Cine Nove de Julho, nome que permaneceu na memória de quem acompanhou a história dos antigos cinemas de rua da cidade. Ao lado de outros espaços tradicionais, o prédio ajudou a compor uma fase importante da vida cultural de Araraquara, quando o Centro era o grande palco dos encontros sociais.
Com o passar dos anos, como aconteceu em tantas cidades brasileiras, os cinemas de rua foram perdendo espaço. Vieram novas formas de consumo, novas salas, novos hábitos e novas construções. Ainda assim, o antigo Cine Plaza continuava ali, como testemunha silenciosa de um tempo em que a cidade se reunia diante da tela grande para sonhar junto.
A demolição reacende uma discussão sensível sobre memória urbana, preservação histórica e o significado dos lugares que formam a identidade de uma comunidade. Afinal, nem todo patrimônio cabe apenas em registros oficiais. Alguns espaços vivem na lembrança, nas histórias contadas em família e na emoção de quem, ao passar pela calçada, ainda enxergava ali o cinema da infância.
A queda do prédio leva paredes, fachada e concreto. Mas leva também o eco das filas, o burburinho antes da sessão, o brilho da tela, as risadas, os sustos dos faroestes, a emoção dos filmes e o sabor doce das balas compradas antes de entrar.
O chamado progresso redesenha a cidade. Mas há perdas que não se medem em metros quadrados. Medem-se em saudade.
Nesta quinta-feira, Araraquara se despediu de um pedaço de sua própria história.
Adeus, Cine 9 de Julho.
Adeus, Cine Plaza.
As paredes caíram, mas a memória continua de pé.







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