Cirurgia robótica do quadril avança no Brasil, mas especialista reforça papel central do médico
Tecnologia amplia precisão nas artroplastias de quadril no Brasil, mas custo elevado e ausência no SUS ainda limitam o acesso; especialista reforça que o robô é ferramenta auxiliar e não substitui a experiência médica.
Dr. Leandro Alves de Oliveira, ortopedista e traumatologista do quadril, membro da Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ) e integrante do grupo de quadril do HC/UFG. O uso de robôs em cirurgias do quadril tem avançado no Brasil, impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico e pela busca por maior precisão nos procedimentos ortopédicos. A técnica, que associa planejamento pré-operatório em 3D, sistemas de navegação e braço robótico, vem ganhando espaço em centros especializados, embora ainda enfrente desafios relacionados ao custo e à disponibilidade.
De acordo com o médico ortopedista e traumatologista do quadril Dr. Leandro Alves de Oliveira, membro da Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ), a cirurgia robótica representa um importante avanço tecnológico na área. Ele também é supervisor da residência de ortopedia e traumatologia e integrante do grupo de quadril do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).
Segundo o especialista, um dos principais atrativos da tecnologia é a possibilidade de aumentar a precisão na colocação dos implantes. “O objetivo do braço robótico e da navegação associada é permitir um posicionamento mais exato dos componentes da prótese”, explica. Essa precisão pode reduzir queixas como diferença de comprimento entre os membros inferiores e diminuir riscos relacionados ao mau posicionamento do implante, como a instabilidade pós-operatória — quando ocorre a luxação da prótese.
Apesar das expectativas positivas, o médico pondera que ainda não há comprovação definitiva de todos os benefícios. “É uma tecnologia recente e ainda não temos estudos de longo prazo que demonstrem totalmente o impacto dessas vantagens”, ressalta.
Entre os benefícios teóricos estão o planejamento pré-operatório detalhado, maior previsibilidade cirúrgica e restabelecimento mais preciso da biomecânica do quadril. Com isso, espera-se reduzir complicações como a instabilidade da prótese e a chamada dismetria, quando há diferença no comprimento das pernas após a cirurgia.
Por outro lado, o procedimento tende a ter tempo cirúrgico maior, já que exige a instalação de sensores no paciente e nos instrumentos, responsáveis por transmitir dados a um sistema computadorizado. Além disso, o custo elevado ainda é um fator limitante. A cirurgia robótica não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e não integra o rol obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que impede cobertura pelos planos de saúde.
Dr. Leandro também faz questão de esclarecer um ponto recorrente: o robô não opera sozinho. “Existe um mito de que a máquina substitui o médico, mas isso não é verdade. O cirurgião realiza toda a incisão, prepara o osso e coloca os implantes. O braço robótico é manipulado pelo profissional e ajuda a evitar falhas, como pequenos desvios ou tremores, permitindo que o implante seja colocado exatamente na posição planejada”, afirma. Para utilizar a tecnologia, o médico precisa passar por treinamento específico.
Além de falar sobre inovação, o especialista chama atenção para os sinais de alerta relacionados a problemas no quadril. A dor na virilha é o principal sintoma de acometimento intra-articular. Geralmente começa de forma leve, como um incômodo, e pode piorar com atividades físicas, ao subir escadas ou ao sentar e levantar. Com a progressão, pode irradiar para a parte interna da coxa até o joelho e provocar limitação de movimentos, dificultando ações simples como calçar sapatos ou cortar as unhas.
Ao identificar esses sinais, a recomendação é procurar avaliação de um especialista em quadril para diagnóstico precoce e definição do tratamento adequado.
Para preservar a saúde da articulação, o médico aponta três medidas fundamentais: fortalecimento muscular dos membros inferiores, controle do peso corporal e evitar atividades de alto impacto sem preparo adequado. “O fortalecimento ajuda a proteger a articulação e a cartilagem, reduzindo o desgaste. Já o excesso de peso aumenta a sobrecarga no quadril. E atividades de impacto, quando feitas sem orientação, podem acelerar o processo degenerativo”, orienta. Pessoas com histórico familiar de doenças no quadril devem redobrar os cuidados, já que há componente hereditário em alguns quadros.
A cirurgia robótica, portanto, surge como aliada na busca por maior precisão e segurança, mas ainda caminha em fase de consolidação no país. Enquanto a tecnologia evolui, o especialista reforça que a experiência, a técnica e a qualificação do cirurgião continuam sendo determinantes para o sucesso do procedimento.







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