Após live de Balda, diretoras reagem e exigem desculpas
Representantes da rede municipal de educa apresentaram comunicado da Secretaria da Educação, cobraram respeito aos profissionais e denunciaram falta de estrutura, sobrecarga e falhas de comunicação durante sessão marcada por pedidos públicos de desculpas.
Representando diretoras da rede municipal, Mel apresentou comunicado da Secretaria da Educação, rebateu declarações feitas em live e denunciou a falta de estrutura enfrentada pelas escolas durante sessão marcada por pedidos públicos de desculpas. O que começou como uma Tribuna Popular para discutir a paralisação das funcionárias terceirizadas da empresa Soluções acabou se transformando em uma das sessões mais tensas e emblemáticas do ano na Câmara Municipal de Araraquara.
Representando diretoras e diretores da rede municipal, a servidora da Educação Melrylene Monique Marques dos Santos, conhecida como Mel, ocupou a tribuna para rebater declarações feitas pelo vereador Balda durante uma live realizada no dia 10 de junho. O parlamentar havia afirmado que não existia paralisação e mencionado que boatos sobre a suspensão das aulas teriam sido disseminados por pessoas ligadas à direção de escolas e creches.
A resposta veio acompanhada de documentos, relatos e um desabafo que expôs não apenas a polêmica envolvendo a live, mas também a realidade enfrentada diariamente pelos profissionais da Educação Municipal.
Comunicado da Secretaria foi apresentado em plenário
Durante sua fala, Mel exibiu um comunicado encaminhado pela própria Secretaria Municipal da Educação às escolas às 11h55 do dia 9 de junho, orientando que as famílias fossem informadas sobre a possibilidade de paralisação dos serviços de limpeza terceirizados.
O texto alertava que, caso a situação não fosse regularizada, não seria possível garantir o atendimento dos alunos devido às condições mínimas de higiene e organização necessárias para o funcionamento das unidades.
Segundo a diretora, as escolas apenas seguiram uma orientação oficial.
“O senhor acabou de dizer que, como jornalista, busca todos os lados. Não buscou”, afirmou Mel ao responder diretamente Balda.
Para ela, se houve falha de comunicação entre setores da Prefeitura, a responsabilidade não pode ser atribuída aos gestores escolares.
“Se houve falha de comunicação entre as secretarias da Prefeitura, não envolvam o nome dos diretores de escola.”
“Estamos trabalhando sem material, sem funcionários e sobrecarregadas”
O momento mais forte da sessão ocorreu quando Mel deixou de falar apenas sobre a live e passou a relatar as dificuldades enfrentadas pelas escolas municipais.
“Estamos trabalhando sem material de higiene, sem material de limpeza, sem funcionários, em prédios precarizados. Estamos cansadas, sobrecarregadas e assumindo funções que muitas vezes nem são nossas.”
Segundo ela, as diretoras precisaram passar horas tentando encontrar soluções para a crise provocada pela paralisação, ao mesmo tempo em que precisavam prestar esclarecimentos às famílias.
A diretora relatou ainda o constrangimento vivido nos portões das escolas.
“Sabe o que ouvimos? ‘Mas o vereador disse que tem atendimento’. Foi isso que ouvimos da comunidade.”
Ao final, resumiu o sentimento das profissionais presentes.
“Nós não estamos aqui pedindo dinheiro. Estamos pedindo respeito, dignidade, integridade e moralidade para trabalhar. Não aceitamos sair daqui sem um pedido de desculpas.”
Balda mantém versão e diz que ouviu todos os lados
Após ser citado por diversos parlamentares, Balda utilizou o direito de resposta para defender sua atuação.
Segundo ele, sua live foi motivada por mensagens enviadas por pais preocupados com o funcionamento das escolas.
“O principal objetivo do jornalismo é ouvir todos os lados.”
O vereador afirmou que procurou a Prefeitura para obter esclarecimentos e que a administração informou que havia realizado tratativas com as empresas terceirizadas e que as aulas ocorreriam normalmente.
“Durante uma hora eu convidei diretores, diretoras, professores e professoras para falarem. Ninguém se colocou à disposição.”
Balda também ressaltou que a gravação da transmissão permanece disponível ao público.
Vereadores se unem em defesa das diretoras
Apesar das divergências políticas existentes no plenário, praticamente todos os vereadores que utilizaram a palavra manifestaram solidariedade às diretoras.
A vereadora Filipa Brunelli afirmou que não existe separação entre o agente político e suas manifestações públicas.
“Enquanto estivermos eleitos, somos vereadores. Não existe extinção dessa responsabilidade.”
Ela ainda sugeriu que as diretoras formalizem uma representação junto à Câmara.
Já a vereadora Maria Paula afirmou que as profissionais foram injustamente expostas.
“O senhor incitou a comunidade contra as diretoras. Passou a ideia de que elas estavam trabalhando para que as escolas não funcionassem.”
Fabi Virgílio também criticou a tentativa de separar a atuação política da atuação jornalística.
“Não existe o Balda do portal e o Balda vereador. Somos a mesma pessoa.”
Alcindo Sabino questionou a postura adotada pelo parlamentar.
“Hora ele é jornalista, hora ele é vereador. Hora ele é o portal oficial do município, hora ele não sabe o que está acontecendo.”
Críticas à estrutura da Educação
Além da polêmica envolvendo a live, a sessão abriu espaço para críticas às condições enfrentadas pelas escolas municipais.
Guilherme Bianco destacou a sobrecarga dos profissionais.
“Falta agente educacional, falta professor, falta papel higiênico, falta limpeza. E vocês fazem a Educação funcionar.”
João Clemente afirmou que a discussão revelou problemas mais profundos.
“Se não estava atacando as diretoras, estava atacando trabalhadoras terceirizadas que reivindicavam seus salários.”
Aluisio Boi ressaltou que a falta das equipes de limpeza inviabiliza o funcionamento seguro das unidades.
“Não existe jeitinho na Educação. Sem limpeza adequada não existe ambiente seguro para as crianças.”
Michel Kary apontou falhas de comunicação.
“Falta ouvir quem está na ponta, quem recebe as crianças e enfrenta os problemas diariamente.”
Marcão da Saúde também saiu em defesa das diretoras.
“As diretoras fazem de tudo, até o impossível, para cuidar das crianças.”
Líder do governo pede desculpas
Líder do governo na Câmara, Dr. Lelo adotou um tom conciliador.
Reconheceu o esforço realizado pelos gestores escolares e afirmou que muitos diretores acabam utilizando recursos próprios para suprir necessidades das unidades.
“Vocês fazem muito mais do que são pagos para fazer.”
O vereador também reconheceu falhas na condução do episódio.
“Foi um ruído de comunicação absurdo e infeliz.”
Dr. Lelo pediu desculpas às profissionais e garantiu que continuará levando as demandas da Educação ao Executivo.
Sessão termina com pedidos públicos de desculpas
Ao final dos debates, vereadores de diferentes correntes políticas convergiram em um ponto: o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos profissionais da Educação e a necessidade de respeito institucional às diretoras da rede municipal.
O presidente da Câmara também pediu desculpas em nome do Legislativo.
O que começou como uma discussão sobre uma live terminou expondo problemas estruturais da Educação Municipal, questionamentos sobre responsabilidade na divulgação de informações e uma cobrança clara por respeito aos profissionais que mantêm as escolas funcionando diariamente.
Mais do que uma disputa política, a sessão deixou evidente que diretoras, professores, merendeiras, agentes educacionais e demais servidores querem ser ouvidos não apenas quando surge uma crise, mas principalmente quando apontam as dificuldades enfrentadas nas escolas de Araraquara.




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