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Araraquara,13/05/2026

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UNESP vira palco de confronto político e expõe guerra ideológica em Araraquara

Confusão no campus da UNESP terminou em B.O., nota de repúdio, denúncia na Alesp e sessão explosiva na Câmara, com ataques a estudantes, críticas ao governo Lapena e acusação de guerra ideológica contra a universidade pública.


UNESP vira palco de confronto político e expõe guerra ideológica em Araraquara Crise na UNESP de Araraquara chegou à Câmara Municipal e expôs uma guerra política entre estudantes, vereadores da base de Lapena, oposição e defensores da universidade pública.
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A crise envolvendo a UNESP de Araraquara deixou de ser apenas uma paralisação estudantil e se transformou em um retrato explosivo da guerra política que tomou conta da cidade. O episódio começou dentro do campus, passou pelas redes sociais, chegou à Câmara Municipal, ganhou denúncia na Alesp e colocou frente a frente estudantes, vereadores, governo Lapena, bolsonaristas e defensores da universidade pública.

O que estava em pauta era uma mobilização por melhorias no restaurante universitário, contratação de professores e aumento do orçamento das universidades estaduais paulistas. Mas o debate descambou para agressões, acusações, falas ofensivas e uma sessão legislativa marcada por tensão, gritos e suspensão.

A pergunta que fica é direta: Araraquara está discutindo educação pública ou transformando a universidade em campo de batalha eleitoral?

A chegada de Hagara e o início da confusão

A confusão foi registrada na tarde de segunda-feira (11), durante a paralisação estudantil na UNESP. Segundo os estudantes, o movimento ocorria de forma pacífica até a chegada de Hagara Espresola Ramos, conhecido como “Hagara do Pão de Queijo”, influenciador e pré-candidato a deputado federal por Ribeirão Preto.

De acordo com os universitários, Hagara teria retirado cartazes e cadeiras colocadas nas entradas das alas de aula. Eles afirmam que tentaram impedir a retirada dos objetos e que, durante o tumulto, houve agressões físicas, empurra-empurra, intimidação e confusão generalizada.

Os estudantes acusam Hagara de ter rasgado cartazes, quebrado cadeiras, enforcado alunos e agredido meninas. As acusações foram levadas à Câmara Municipal e também motivaram o registro de boletim de ocorrência.

Hagara, por outro lado, afirma que foi até a universidade após receber denúncias de suposto vandalismo e que estudantes estariam impedindo colegas de assistir às aulas.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram um ambiente de provocação, confronto verbal, tensão e empurra-empurra. O caso passou a circular politicamente como combustível para os dois lados da disputa: para os estudantes, uma agressão contra a universidade pública; para setores da direita, uma reação contra suposto bloqueio e uso político do campus.

Direção da UNESP repudia violência

A Direção da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara divulgou uma nota de repúdio aos episódios registrados no campus.

No documento, assinado pelo diretor Cláudio Cesar de Paiva e pela vice-diretora Marcia Cristina Argenti, a instituição manifesta “veemente repúdio” à violência e às agressões envolvendo pessoas externas à universidade e estudantes ligados ao movimento estudantil.

A direção reforçou que a universidade pública deve ser espaço democrático, plural, de livre expressão, diálogo, convivência respeitosa e construção coletiva do conhecimento.

Também afirmou que nenhuma forma de intimidação, violência física, verbal ou simbólica pode ser aceita ou naturalizada dentro da universidade.

A nota colocou peso institucional no caso e elevou a tensão política. O episódio já não era apenas uma troca de acusações nas redes sociais: passou a envolver oficialmente a direção da universidade.

Estudantes levam denúncia à Câmara

Na terça-feira (12), estudantes da UNESP foram à Tribuna Popular da Câmara Municipal de Araraquara. Arthur, Pedro, Murilo e Vitória participaram do ato em defesa da educação pública e em repúdio às agressões denunciadas no campus.

A estudante Vitória defendeu a paralisação e afirmou que os universitários lutam por condições mínimas para manter a qualidade da UNESP. Ela destacou reivindicações por contratação de professores, melhorias no restaurante universitário e aumento do orçamento das universidades estaduais paulistas.

Vitória também lembrou que a UNESP cresceu em várias cidades desde a última alteração da cota-parte do ICMS e que, agora, com a transição do ICMS para o IBS, os estudantes cobram garantias de financiamento para a USP, a Unicamp e a UNESP.

A estudante ainda citou o papel social da universidade em Araraquara, destacando o CUCA, cursinho pré-vestibular gratuito mantido por estudantes.

“Onde a UNESP está presente, ela é responsável por movimentar a economia daquela cidade e por oferecer serviços gratuitos para a população”, afirmou.

Ao rebater quem tentou justificar a agressão contra universitários, Vitória foi direta:

“Acho que é uma vergonha um unespiano falar que é justo alguém bater em um estudante.”


Pedro Lins acusa agressão e cobra impeachment de Lapena

O estudante de Ciências Sociais Pedro Lins fez uma das falas mais duras da sessão. Ele afirmou que Hagara invadiu a universidade, rasgou cartazes, quebrou cadeiras, enforcou alunos e bateu em meninas.

Pedro também criticou vereadores da base do governo Lapena e questionou a postura de agentes políticos locais diante do episódio.

O estudante citou o prefeito Dr. Lapena, que havia comentado uma publicação relacionada ao caso afirmando que “Araraquara está aparelhada pelo PT” e declarando: “Precisamos do Estado!”

A fala de Lapena colocou ainda mais gasolina no conflito. Para estudantes e setores progressistas, o prefeito usou um episódio de violência denunciada no campus para reforçar uma narrativa ideológica contra a universidade e movimentos estudantis. Para aliados do prefeito, a manifestação representa uma crítica ao suposto aparelhamento político da cidade.

Pedro foi além. No plenário, criticou a administração municipal, falou em buracos, mato alto, falta de medicamentos, número de comissionados e situação envolvendo o DAAE. Em tom de cobrança, defendeu que vereadores discutissem um possível processo de impeachment contra Lapena.

A fala transformou a sessão em um confronto direto não apenas sobre a UNESP, mas sobre o próprio governo municipal.

Michel Kary ataca estudantes e sessão explode

O momento mais inflamado da sessão veio com a fala do vereador Michel Kary (PL).

O parlamentar disse estar indignado com a situação dos prédios públicos da universidade e afirmou se sensibilizar com famílias que trabalham para sustentar os estudos dos filhos. Também criticou barricadas feitas com carteiras e portas fechadas, alegando que alunos que queriam estudar teriam sido impedidos de entrar nas salas de aula.

Kary afirmou que não estava “passando pano” para violência, mas que se indignava com a situação do patrimônio público.

No entanto, ao final de sua fala, disparou a frase que incendiou o plenário:

“Se jogar uma carteira de trabalho aqui, não fica ninguém.”

A declaração foi interpretada como ataque direto aos estudantes. Na prática, o vereador colocou sob suspeita a legitimidade da mobilização estudantil ao insinuar que os universitários não trabalham.

A reação foi imediata. Vereadores se levantaram, estudantes protestaram e o clima ficou insustentável. A sessão precisou ser suspensa.

O episódio expôs o abismo político dentro da Câmara: estudantes foram ao Legislativo denunciar agressões e acabaram sendo alvos de uma fala que, para eles, reforçou preconceito contra a juventude universitária e contra o movimento estudantil.

Bianco rebate e acusa direita de atacar universidade pública

O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) reagiu duramente à fala de Michel Kary e saiu em defesa dos estudantes.


“Ele gastou seus três minutos para mentir sobre a nossa universidade”, afirmou.

Bianco disse que o caso não pode ser reduzido a uma “guerra de narrativas”. Para ele, o que aconteceu foi um ataque político contra estudantes da universidade pública.

O parlamentar classificou Hagara como um “tiktoker bolsonarista de Ribeirão Preto” e afirmou que a ação não teria sido isolada. Segundo Bianco, episódios semelhantes teriam ocorrido em outras cidades, como São José do Rio Preto e São Paulo.

“Foi uma ação da extrema-direita, daqueles que odeiam a universidade pública gratuita de qualidade”, declarou.

Bianco também criticou o que chamou de aplausos políticos à ação contra estudantes e afirmou que não é aceitável tratar como normal a entrada de uma pessoa externa na universidade para intimidar ou agredir alunos.

Enfermeiro Delmiran fala em palanque político e cobra “democracia para todos”

O vereador Enfermeiro Delmiran entrou no debate defendendo seu direito de republicar conteúdos sobre o episódio em suas redes sociais.

Ele afirmou que apenas manifestou indignação com o que considera polarização política dentro da universidade. Disse que não questiona o valor da universidade pública, mas que tem preocupação com o uso do ambiente acadêmico como palanque político.

“Eu não quero questionar aqui o valor que a universidade pública tem para a sociedade. A preocupação é que hoje a universidade não sirva de palanque político”, afirmou.

Delmiran também questionou o comportamento dos estudantes no plenário e citou insultos dirigidos ao vereador Coronel Prado.

“Cadê a democracia? A democracia é vir xingar?”, questionou.

O parlamentar afirmou que, como pagador de impostos, também tem direito de se manifestar sobre o que vê em uma universidade pública.

“Eu não tenho direito, como pagador de imposto que também sou, de republicar através da minha rede social manifestando o que eu vi numa universidade pública?”, declarou.

A fala reforçou a linha adotada por vereadores da direita: defesa do patrimônio público, crítica ao suposto uso político da universidade e questionamento à forma de protesto dos estudantes.

Coronel Prado compara universidade ao caso “Perdeu, mané”

O vereador Coronel Prado (NOVO) também entrou no embate ao citar o caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que ficou conhecida por escrever a frase “Perdeu, mané” com batom na estátua A Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal, durante os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Prado usou o caso para comparar com prédios universitários que, segundo ele, estariam sendo pichados por estudantes e envergonhando a população.

A comparação provocou repercussão porque deslocou o debate das agressões denunciadas para a questão da preservação do patrimônio público. Para críticos, foi uma tentativa de equiparar manifestação estudantil a vandalismo político. Para aliados, foi uma cobrança legítima sobre depredação de prédios públicos.

O fato é que a fala ampliou ainda mais a tensão e colocou a universidade no centro de uma disputa simbólica: para uns, espaço de resistência; para outros, local tomado por militância.

Alcindo Sabino critica Hagara e chama Lapena de “prefeito de Facebook”

O vereador Alcindo Sabino também elevou o tom. Ele afirmou que Hagara deveria ter sido levado preso pela Polícia Militar após as agressões relatadas pelos estudantes.

“Inclusive, coronel, a Polícia Militar devia levar ele preso, porque agrediu”, afirmou.

Alcindo também fez críticas duras ao prefeito Dr. Lapena. Segundo o vereador, Araraquara estaria “indo de mal a pior” e a população perceberia isso nas ruas.

“É só andar na rua e perguntar para todo mundo. Vai no mercado lá dentro e pergunta como está a cidade que você está governando”, declarou.

O parlamentar chamou Lapena de “prefeito de Facebook” e disse que o chefe do Executivo estaria mais preocupado com redes sociais do que com os problemas reais da cidade.

“É um absurdo o que ele faz. Ele não está nem aí para vocês, não está nem aí para a gente, não está nem aí para o povo de Araraquara”, afirmou.

A fala de Alcindo levou o caso da UNESP para outro patamar: virou também um julgamento político da gestão Lapena.

Maria Paula fala em extrema-direita e Justiça

A vereadora Maria Paula foi uma das vozes mais contundentes em defesa dos estudantes.

Ela informou o registro de boletim de ocorrência contra ataques ao patrimônio público e agressões contra estudantes e mulheres.

“Invasão e agressão não passarão: B.O. registrado!”, declarou.

Maria Paula acusou figuras da extrema-direita de tentarem transformar a UNESP em palco de violência e afirmou que a resposta será dada na Justiça.

“Política se faz com ideias, não com vandalismo e truculência. Não recuaremos um passo na defesa da nossa universidade e da integridade dos nossos jovens. Araraquara exige respeito!”, afirmou.

A vereadora também reforçou a palavra de ordem:

“Justiça pelos estudantes!”


Aluísio Boi defende UNESP, CUCA e cobra prisão

O vereador Aluísio Boi (MDB) prestou apoio aos estudantes, repudiou o ocorrido no campus e saiu em defesa da UNESP de Araraquara.

Boi também destacou a importância do CUCA, cursinho popular gratuito mantido por estudantes, e afirmou que Hagara deveria estar preso após as agressões e a confusão denunciadas.

A fala reforçou a ideia de que a UNESP não é apenas uma universidade, mas um equipamento público que movimenta a cidade, forma profissionais, produz pesquisa e presta serviços à população.

Thainara Faria leva denúncia à Alesp e mira governo Tarcísio

A crise ultrapassou Araraquara e chegou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

A deputada estadual Thainara Faria denunciou na Alesp o ataque sofrido por estudantes da UNESP por parte de um pré-candidato bolsonarista. Ela também criticou as condições de sucateamento das universidades estaduais, que atribuiu à falta de investimento do governo Tarcísio de Freitas.

“Não aceitaremos intimidação contra quem luta por direitos, nem o abandono da educação superior pública”, afirmou.

A deputada declarou estar ao lado de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e acessível para todos.

A entrada de Thainara no caso ampliou a crise para o campo estadual e atingiu diretamente o governo Tarcísio, já pressionado por greves e manifestações nas universidades paulistas.

Lapena escolhe lado e inflama crise

O prefeito Dr. Lapena entrou na polêmica ao comentar uma publicação de um influenciador bolsonarista relacionada ao episódio.

No comentário, afirmou:

“Araraquara está aparelhada pelo PT. Precisamos do Estado!”

A frase teve forte impacto político. Ao invés de apaziguar a crise, o prefeito escolheu uma leitura ideológica do conflito. Para seus críticos, Lapena reforçou o discurso da direita contra estudantes, universidade pública e movimentos sociais. Para seus apoiadores, apenas denunciou o que considera aparelhamento político no município.

Mas a fala teve um efeito imediato: colocou o prefeito no centro da crise e aproximou ainda mais o episódio da disputa entre bolsonarismo, governo Tarcísio, universidade pública e política municipal.

Universidade pública ou palanque de guerra ideológica?

A paralisação da UNESP começou em 14 de abril. A pauta estudantil inclui melhorias no restaurante universitário, contratação de professores e aumento do orçamento das universidades estaduais paulistas.

Mas, depois da confusão, o debate mudou de eixo. A discussão sobre permanência estudantil foi atropelada por acusações de agressão, vandalismo, aparelhamento, extrema-direita, palanque político, criminalização do movimento estudantil e uso eleitoral das redes sociais.

De um lado, estudantes afirmam que foram agredidos e que a universidade está sendo atacada por forças políticas que querem intimidar a mobilização. De outro, vereadores e setores da direita dizem que a universidade foi tomada por militância, barricadas e dano ao patrimônio público.

No centro da crise, a Câmara Municipal virou o espelho da cidade: dividida, exaltada e incapaz de discutir educação sem transformar tudo em confronto ideológico.

A pergunta que Araraquara precisa responder é urgente: a UNESP será defendida como patrimônio público da cidade ou usada como trincheira de uma guerra política que já ultrapassou todos os limites?



































































































O caso segue em apuração e ainda deve gerar desdobramentos jurídicos, políticos e institucionais.




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