Antigo Tropical Shopping: abandono de quase 20 anos expõe impasse judicial, risco urbano e demora do poder público
Após cobrança do vereador Alcindo Sabino, Prefeitura admite que imóvel segue abandonado, cercado, sob vigilância e alvo de disputa judicial enquanto moradores convivem com insegurança, risco de dengue e incerteza sobre o futuro da área.
Abandonado há quase 20 anos, antigo Tropical Shopping segue cercado, monitorado e no centro de disputa judicial enquanto Prefeitura tenta assumir o imóvel. O antigo Tropical Shopping, um dos símbolos mais visíveis do abandono urbano em Araraquara, segue sem solução definitiva quase 20 anos depois de ter deixado de cumprir sua função original. O prédio, localizado em área de grande circulação, permanece cercado por grades, monitorado pela Guarda Civil Municipal e envolvido em uma disputa judicial que ainda impede uma resposta concreta sobre o futuro do imóvel.
A situação voltou ao debate público após questionamentos apresentados pelo vereador Alcindo Sabino (PT), por meio do Requerimento nº 179/2026. O parlamentar cobrou da Prefeitura informações sobre segurança, riscos estruturais, possíveis focos de dengue e o andamento do processo de encampação, medida que pode permitir ao Município assumir oficialmente os imóveis que compõem o antigo shopping.
A resposta do Executivo confirma que o caso está longe de ser simples. Embora a Prefeitura tenha declarado a encampação do espaço por meio do Decreto Municipal nº 13.346, de 11 de outubro de 2023, o processo enfrenta contestação judicial da empresa San Gimignano Empreendimentos e Participações Ltda., que acionou a Justiça em julho de 2025 para questionar a medida.
Enquanto o impasse segue nos tribunais, moradores, comerciantes e pedestres convivem com um prédio fechado, deteriorado e cercado de incertezas.
“Neste ano, se encerra o período de encampação para que a Prefeitura assuma oficialmente o espaço, então entendemos que é fundamental acompanhar de perto como está esse processo e quais medidas estão sendo tomadas”, afirmou Alcindo Sabino.
Quase duas décadas de abandono
O antigo Tropical Shopping deixou de ser apenas um imóvel desativado para se tornar um problema urbano permanente. A degradação do espaço preocupa principalmente quem vive e trabalha no entorno, onde há relatos recorrentes de insegurança, abandono, risco sanitário e dúvidas sobre a condição estrutural do prédio.
Na prática, o imóvel se tornou um retrato da lentidão institucional: anos de abandono, medidas paliativas de segurança e um processo de encampação que ainda depende de decisão judicial para avançar de forma definitiva.
Segundo a Prefeitura, ultrapassados três anos da encampação, o imóvel poderá ser incorporado ao patrimônio municipal, conforme previsão do Código Civil. O problema é que a disputa judicial aberta pela empresa que contesta a medida mantém o desfecho em suspenso.
De acordo com o Executivo, a ação tramita na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Araraquara e está na fase de especificação de provas, com pedido de julgamento antecipado. A Prefeitura sustenta que já haveria entendimento consolidado sobre o abandono do imóvel e que não seria necessária a produção de novas provas testemunhais ou periciais.
Segurança depende de vigilância permanente
A resposta da Prefeitura também revela que o prédio precisa de vigilância constante para evitar invasões, ocupações irregulares e outras situações de risco. O local permanece cercado por grades e com portão fechado por cadeado.
Além disso, segundo o Executivo, há policiamento contínuo da Guarda Civil Municipal, tanto no período diurno quanto noturno. A medida indica que, mesmo fechado, o imóvel continua exigindo atenção permanente do poder público.
O cenário reforça uma pergunta incômoda: até quando uma área desse porte permanecerá dependendo apenas de grades, cadeados e rondas para não se transformar em um problema ainda maior?
Dengue e risco sanitário
Outro ponto sensível é a possibilidade de focos do mosquito Aedes aegypti. A Prefeitura informou que equipes técnicas realizam vistorias periódicas no imóvel e que, após inspeção em fevereiro deste ano, foram determinadas intervenções para eliminar acúmulo de água.
Entre as ações executadas, está a perfuração de pontos da laje onde havia água parada. O serviço foi realizado em 19 de fevereiro de 2026, com o objetivo de reduzir riscos sanitários e ambientais.
A informação, porém, confirma que o prédio exige manutenção constante para não se tornar um ponto de risco à saúde pública, especialmente em um período em que cidades enfrentam preocupação permanente com dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito.
Estrutura será reavaliada
A condição estrutural do antigo shopping também permanece sob análise. A Prefeitura encaminhou relatório de vistoria elaborado pela Defesa Civil em julho de 2023 e informou que solicitou, neste mês de março, uma atualização do documento técnico.
A nova avaliação deve verificar possíveis riscos relacionados à deterioração da estrutura, áreas degradadas e eventuais ameaças à segurança de moradores, comerciantes e pedestres.
Para Alcindo Sabino, a cobrança tem como objetivo pressionar por transparência e por uma solução definitiva para um problema que se arrasta há anos.
“O Requerimento que apresentamos é mais um passo dentro do trabalho que o nosso mandato vem realizando para acompanhar e buscar uma solução definitiva para as questões envolvendo o antigo Tropical Shopping. Esse é um assunto de grande interesse da cidade e, principalmente, dos moradores do entorno, que convivem há anos com preocupações relacionadas à segurança, abandono e riscos naquela área. Queremos transparência, informações claras e segurança para a população”, afirmou o vereador.
Um problema que Araraquara não pode mais empurrar
O caso do antigo Tropical Shopping expõe uma ferida urbana aberta em Araraquara. O imóvel abandonado há quase 20 anos ocupa espaço estratégico, mobiliza fiscalização, gera preocupação sanitária, exige rondas constantes e ainda depende de uma batalha judicial para ter um destino definido.
Enquanto o processo não avança, a cidade segue convivendo com um prédio sem função social clara, cercado por grades e incertezas.
A cobrança agora recai sobre o poder público: transformar o antigo shopping em solução ou permitir que ele continue como símbolo de abandono no coração da cidade.








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